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SINICON debate cenário político e caminhos para o Brasil no próximo ciclo

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SINICON debate cenário político e caminhos para o Brasil no próximo ciclo

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Publicado por COMUNICAÇÕES em POLÍTICA · Terça 15 Set 2026 · Tempo de leitura 4:00
SINICON debate cenário político e caminhos para o Brasil no próximo ciclo
Encontro com o cientista político Carlos Melo discutiu eleições de 2026, transformações geopolíticas e a necessidade de uma agenda de longo prazo, com infraestrutura no centro da estratégia de desenvolvimento
O cenário político brasileiro às vésperas das eleições de 2026, as mudanças na ordem internacional e os desafios para a construção de um projeto de desenvolvimento de longo prazo estiveram no centro do encontro promovido pelo SINICON, nesta terça-feira, 15 de setembro, com empresas associadas e parceiros. Realizada em formato híbrido, a reunião teve como tema “Brasil 2026: Conjuntura política, eleições e os caminhos para o próximo ciclo” e contou com a participação do cientista político Carlos Melo, professor do Insper.
Ao longo do encontro, Melo apresentou uma análise do ambiente político, econômico e geopolítico, relacionando as transformações internacionais aos desafios internos do Brasil. Um dos pontos destacados foi a reorganização da ordem mundial, marcada pela crescente disputa entre Estados Unidos e China. Na avaliação do professor, o país deve evitar alinhamentos automáticos e buscar uma posição equilibrada, capaz de preservar seus interesses e aproveitar oportunidades econômicas e estratégicas nas relações com as duas potências.
Nesse contexto, o Brasil dispõe, segundo Melo, de vantagens importantes em áreas como agronegócio, biodiversidade, energia e recursos naturais. O desafio está em transformar essas vantagens em desenvolvimento, ampliando a agregação de valor, a capacidade produtiva e a participação do país em atividades de maior conteúdo tecnológico.
Infraestrutura no centro - A infraestrutura ocupou espaço relevante na análise. Melo ressaltou que qualquer estratégia consistente de crescimento depende de investimentos em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, telecomunicações e energia, articulados a avanços em educação, ciência e tecnologia.
A discussão convergiu com uma das agendas defendidas pelo SINICON: a necessidade de tratar a infraestrutura a partir de uma perspectiva de longo prazo, capaz de ultrapassar ciclos eleitorais e oferecer previsibilidade para investimentos públicos e privados. Nesse sentido, o encontro reforçou a importância de recolocar o planejamento e a capacidade de execução no centro do debate sobre o futuro do país.
Um dos principais pontos levantados por Melo foi justamente a ausência, em sua avaliação, de um projeto nacional capaz de organizar prioridades para as próximas décadas. O cientista político apontou que o debate público permanece excessivamente concentrado em conflitos conjunturais, enquanto temas estruturantes relacionados ao desenvolvimento acabam recebendo menor atenção.
Eleições e ambiente institucional - Ao analisar as eleições de 2026, o professor abordou as mudanças no sistema político brasileiro. Entre os fenômenos apontados estão o enfraquecimento de grandes lideranças nacionais, o aumento do peso das emendas parlamentares e o que definiu como uma “paroquialização” do Congresso, com parlamentares cada vez mais direcionados a agendas locais e eleitorais.
Na análise apresentada durante o encontro, esse processo ocorre paralelamente a mudanças na relação entre os Poderes: o Executivo teria perdido capacidade de condução da agenda nacional, enquanto o Legislativo se tornou mais fragmentado e o Supremo Tribunal Federal passou a ocupar espaço crescente nas disputas políticas.
Melo também chamou a atenção para o que considera uma redução da capacidade de mobilização da sociedade diante da sucessão de crises e controvérsias políticas.
Setor produtivo e projeto de país - Na parte final do encontro, o cientista político ressaltou o papel que o setor produtivo e as organizações da sociedade civil podem desempenhar nesse cenário. Para Melo, a atuação das entidades não deve se restringir à interlocução institucional ou à defesa de agendas setoriais, mas também contribuir para a formulação de propostas econômicas e sociais de longo prazo.
Para o Diretor Executivo do SINICON, Humberto Rangel, o debate dialoga diretamente com a necessidade de construir uma agenda nacional de infraestrutura para o próximo ciclo de governo, capaz de associar investimentos, planejamento, capacidade produtiva, qualificação profissional e estabilidade institucional.
“A discussão deixou como questão central o desafio de transformar as vantagens brasileiras em desenvolvimento sustentável e duradouro. Em um cenário internacional de profundas transformações, infraestrutura, planejamento e capacidade produtiva tornam-se elementos estratégicos não apenas para a competitividade, mas também para ampliar a autonomia do Brasil e sua capacidade de definir os próprios caminhos de desenvolvimento”, sintetizou Rangel.


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