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NOTA Sinicon - Crédito à Exportação

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Publicado por COMUNICAÇÕES em ECONOMIA · Quinta 26 Mar 2026 · Tempo de leitura 3:00
NOTA Sinicon - Crédito à Exportação
26 de março de 2026

O Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada-Infraestrutura (SINICON) considera necessário esclarecer a abordagem adotada pela reportagem “Calote bilionário de 15 países é socializado entre os brasileiros”, publicada por VEJA em 25/03/2026 (link abaixo). O texto apresenta uma leitura incompleta da política de apoio à exportação de bens e serviços de engenharia, desconsidera dados oficiais relevantes e acaba transmitindo ao leitor uma percepção equivocada sobre um instrumento que gerou retorno financeiro, empregos, divisas e fortalecimento da cadeia produtiva brasileira.

Diferente do que sugere a coluna, o apoio oficial do BNDES não consistiu em “financiar outros países” em prejuízo dos brasileiros. Trata-se de uma política voltada à exportação de bens e serviços brasileiros, com desembolsos feitos no Brasil, em favor de empresas nacionais, mediante comprovação das exportações realizadas. O risco das operações, por sua vez, contou com mecanismos de garantia próprios, inclusive por meio do Fundo de Garantia à Exportação.

Os números oficiais desmontam a tese de prejuízo líquido ao país. Segundo dados públicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na posição de 31 de dezembro de 2025 (link abaixo), o Banco havia desembolsado US$ 10,499 bilhões e recebido US$ 13,314 bilhões em principal e juros. A própria documentação mostra que a política gerou resultado financeiro positivo, com superávit superior a US$ 2,2 bilhões para os cofres públicos.

Também não é razoável afirmar que esse instrumento tenha retirado recursos da infraestrutura brasileira. A participação do apoio à exportação de bens e serviços de engenharia no total desembolsado pelo BNDES foi de apenas 1,3% entre 2003 e 2018, enquanto os investimentos em infraestrutura no Brasil corresponderam a 36% no mesmo período. Ou seja, não houve substituição de prioridade nacional, mas coexistência entre políticas de desenvolvimento interno e apoio à competitividade externa das empresas
brasileiras. Economias desenvolvidas compreendem que apoiar a engenharia nacional é garantir soberania e competitividade.

A coluna também ignora os efeitos concretos dessa política sobre a economia nacional. As exportações de engenharia apoiadas mobilizaram mais de 4.800 fornecedores no Brasil, dos quais 66% eram pequenas e médias empresas, sustentando centenas de milhares de empregos e fortalecendo cadeias produtivas nacionais. Reduzir esse instrumento a uma caricatura ideológica é desinformar e apagar seu impacto real sobre a atividade econômica brasileira. Ressalte-se que essa política de crédito foi criada na década de 70 do século passado.

O crédito à exportação é adotado pelas principais economias do mundo como instrumento legítimo de política industrial, comercial e de inserção internacional. O que merece debate público é como o Brasil pode recuperar competitividade e presença global.

O Sinicon sugere que a discussão sobre o tema seja feita com precisão e ênfase no crescimento econômico do país. E os fatos mostram que essa política não produziu prejuízo estrutural ao país, mas retorno financeiro, geração de emprego, estímulo à indústria nacional e fortalecimento da presença brasileira no mercado internacional.

A matéria de Veja
https://veja.abril.com.br/coluna/jose-casado/calote-bilionario-de-15-paises-e-socializado-entre-os-brasileiros/


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